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Aluguel e patrimônio: como interpretar os novos dados da FGV

O IVAR acompanha contratos de aluguel em quatro capitais. Entenda os dados de setembro, os limites da média e o que observar no orçamento e na renda de imóveis.

Miniatura de prédio residencial preto com janelas iluminadas, chave dourada e papel enrolado sobre fundo bege.

O aluguel pesa no orçamento de quem paga e na renda de quem recebe. Por isso, a divulgação desta quarta-feira, 7 de outubro, merece atenção: o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR), da Fundação Getulio Vargas (FGV), avançou 0,28% em setembro de 2026 e acumulou alta de 5,08% em 12 meses nas quatro capitais pesquisadas.

O resultado, também registrado na cobertura do InfoMoney, ajuda a acompanhar o mercado de locação. Mas não determina, sozinho, o reajuste de um contrato nem revela quanto um proprietário ganhou com seu imóvel. Para usar essa informação no planejamento, é preciso separar a evolução dos preços, as condições do contrato e o dinheiro que efetivamente entra ou sai da conta.

O que o índice mede e onde ele se aplica

Segundo a metodologia da FGV, o IVAR utiliza informações de contratos fornecidas por administradoras de imóveis. A base inclui novas locações e atualizações de contratos existentes. São valores praticados, que podem ser diferentes do preço inicialmente anunciado por um proprietário.

A pesquisa acompanha Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo. Portanto, o resultado agregado não mede diretamente os aluguéis de Anápolis, Goiânia ou de todas as cidades brasileiras. Mesmo nas capitais incluídas, a média não substitui uma avaliação do bairro, do tipo de imóvel e das condições específicas da locação.

A tabela mostra por que o recorte importa. Belo Horizonte ficou estável no mês, mas apresentou a maior alta acumulada em 12 meses entre as quatro cidades. Uma leitura mensal e uma leitura anual respondem a perguntas diferentes.

IVAR: variação dos aluguéis residenciais em setembro de 2026
CapitalNo mês (%)Em 12 meses (%)
Belo Horizonte0,007,88
Porto Alegre0,574,36
Rio de Janeiro0,455,77
São Paulo0,154,35

Fonte: FGV IBRE, comunicado do IVAR de setembro de 2026, publicado em 07/10/2026. Dados observados, não projeções.

Por que os valores continuam pressionados

Na avaliação apresentada pela FGV, o financiamento imobiliário restritivo mantém parte das famílias no aluguel, enquanto a oferta limitada de imóveis ajuda a sustentar os preços. Essa é uma interpretação econômica da instituição. Ela não significa que todo bairro tenha a mesma demanda ou que os aumentos continuarão no mesmo ritmo.

Para entender uma proposta concreta, vale comparar imóveis semelhantes: localização, tamanho, conservação e despesas associadas. Um aluguel menor pode vir acompanhado de condomínio mais alto ou de maior custo de transporte. A decisão financeira depende do conjunto, não apenas do valor destacado no anúncio.

O IVAR não reajusta automaticamente seu contrato

O indicador descreve o mercado. O reajuste de uma locação depende das cláusulas aplicáveis, do índice escolhido e do período previsto. A própria FGV explica que o IVAR não foi criado para se tornar obrigatoriamente o índice usado em todos os contratos.

A Lei do Inquilinato permite que as partes estabeleçam, de comum acordo, um novo valor de aluguel ou alterem a cláusula de reajuste. Já a Lei nº 10.192 prevê, para reajustes por índices de preços, periodicidade mínima de um ano. Antes de aplicar uma taxa divulgada na notícia, confira o contrato e a data de referência. Dúvidas específicas sobre cláusulas exigem análise do caso.

Quanto uma mudança pode representar no orçamento

Em um exemplo apenas ilustrativo, aplicar uma variação de 5,08% a um aluguel mensal de R$ 1.500 resultaria em R$ 1.576,20, uma diferença de R$ 76,20 por mês. Mantido esse novo valor por 12 meses completos, a despesa adicional seria de R$ 914,40.

A conta multiplica R$ 1.500 por 1,0508 e depois multiplica a diferença mensal por 12. Os valores foram arredondados para centavos. Não foram incluídos condomínio, impostos, seguros, outras despesas ou novos reajustes. Isso não é previsão, preço de mercado nem cálculo de um contrato real: serve para visualizar o efeito de uma porcentagem sobre o orçamento.

Receber mais aluguel não significa obter o mesmo ganho no patrimônio

Para quem possui imóvel alugado, o valor recebido precisa ser analisado junto com manutenção, administração, impostos aplicáveis e períodos sem inquilino. A vacância, isto é, o tempo em que o imóvel fica desocupado, pode reduzir a renda do ano mesmo quando os preços do mercado sobem.

O IVAR também não informa a valorização do imóvel nem substitui a comparação com outras formas de investir. Prazo, custos e liquidez, a facilidade de transformar o patrimônio em dinheiro, continuam relevantes. Para quem paga aluguel, a prioridade prática é projetar as despesas de moradia e preservar espaço no orçamento para imprevistos.

A próxima divulgação do IVAR está prevista pela FGV para 6 de novembro, com dados de outubro. Até lá, o acompanhamento mais útil combina o indicador com o contrato vigente e a realidade local. Uma média ajuda a fazer perguntas melhores; a decisão depende dos números da própria família.

Fontes consultadas

Conteúdo informativo. Não constitui recomendação individual de investimento nem garantia de resultados.

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